Agradecimentos à colaboradora Luba pelo fornecimento do exemplar abaixo
Observe esta caixinha de Mupy. Se não se sentiu ofendido, pare por aqui e vá tomar seu Ades: você é um ignorante em matéria de bebidas de soja.

Assim como o Yakult no território dos leites fermentados com bactérias intestinófilas, o Mupy sempre foi pioneiro e imbatível entre as bebidas de soja. O Yakult soube manter suas tradições: apesar de uns retoques aqui e ali, o produto e a embalagem se mantiveram fiéis aos originais.

O Mupy, por outro lado, sofre um esbofeteamento de marketing numa freqüência insalubre. Primeiro, com a mudança de nome, de Mamy para Mupy, o que muitos consideram um ultraje tão grande quanto a re-identificação do Lollo como Milkybar (embora livre do ostracismo que se abateu sobre este).

Alguns anos atrás, veio a primeira investida contra a embalagem, quando o tradicional saquinho monocromático ganhou diversas camadas de cor e impressão de alta resolução (se comparada à anterior).

Agora, numa decisão fadada ao fracasso, o Mupy foi transferido para caixinhas Tetra Pak, aquelas não muito recicláveis.

Não só uma afronta à tradição e à memória do Mamy, essa mudança também fará com que o Mupy seja vendido nas prateleiras refrigeradas de laticínios, tornando-se apenas mais um produto entre as centenas de bebidas de caixinha desse setor dos supermercados (incluindo aí até clones do Yakult).

A caixinha longa-vida, apesar dos benefícios que traz, também tem um efeito colateral: a facultatividade do resfriamento. Como não precisa ser mais conservado em geladeira, o Mupy corre o risco de parar na prateleira não-resfriada, junto aos Cup Noodles. Foi-se o tempo em que comprar Mupy era certeza de comprá-lo gelado para o alívio instantâneo em dias de calor.

Por ora os saquinhos ainda estão no mercado, mas esse símbolo da cultura popular das bebidas de soja corre o risco de desaparecer.